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ARTIGOS

Junho 2018

Jovens, barriga e cigarro

Estudo encontra maior circunferência abdominal nos adolescentes brasileiros fumantes

Já há alguns anos vários estudo mostraram que, entre adultos, existe uma relação entre o vício de fumar e um aumento da obesidade abdominal. Fumantes, além dos malefícios diretos provocados pelo tabagismo, também tem estatisticamente mais gordura abdominal, o que é um fator de risco para uma série de doenças crônicas como doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Um estudo feito no Brasil mostra que o problema também atinge os adolescentes.

A gordura abdominal
Embora excesso de peso ou gordura excessiva não sejam coisas boas para saúde em qualquer forma, vários estudos mostram que gordura concentrada na barriga, especialmente a gordura interna – gordura visceral – está ligada a distúrbios metabólicos e o desenvolvimento de doenças crônicas.

A relação estatística entre gordura abdominal interna e doença é clara, porém os exatos mecanismos porque isso acontece ainda não são totalmente entendidos pela ciência. Aparentemente, a gordura abdominal interna está ligada à hiperatividade dos mecanismos de resposta ao stress do organismo e provocam lipotoxidade (lipotoxity): o acúmulo de ácidos graxos no fígado, pâncreas e outros órgão, levando à danos nos mecanismos de regulação de insulina, açúcar no sangue e colesterol.

Os métodos mais precisos de avaliar a obesidade abdominal são a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, que permitem uma visão detalhada dos tecidos internos, mas são processos caros e que precisam de máquinas sofisticadas e não disponíveis em muitos lugares.

A simples medida da circunferência abdominal, embora menos preciso, é um método fácil e barato para uma primeira avaliação da obesidade abdominal, se as medidas forem comparadas com a circunferência média de outras pessoas, ajustando por idade, sexo, altura, e outras variáveis demográficas.

O estudo
A pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade John Hopkins (EUA) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado pela revista Preventive Medicine, foi realizado através da medição da circunferência abdominal e questionários comportamentais com 21.671 rapazes e 17.142 moças entre 15 e 17 anos, estudantes de escolas públicas e privadas no Brasil. Se descobriu uma maior prevalência da obesidade abdominal entre os adolescentes que consumiam mais de 1 cigarro por dia, tanto para os do sexo masculino quanto as do feminino.

Os motivos que levam os fumantes – adultos e adolescentes - a terem na média estatística uma maior circunferência abdominal não são claros, mais estudos a respeito precisam ser feitos. Essa relação pode envolver causas diretas, como o metabolismo da Nicotina e indiretas: um comportamento mais sedentário e um estilo de vida de maior risco, incluindo aí uma alimentação mais desregrada. Um indício desse possível desrespeito pelo próprio corpo por parte dos fumantes vem de outro dado da pesquisa: 28,9% dos adolescentes masculinos fumantes e 31,2% das femininas fumantes declararam tomar uma ou mais doses de bebida alcoólica, em média, todos os dias. Lembrando que estamos falando de meninos e meninas entre 15 e 17 anos... Entre os não fumantes a parcela dos que consome álcool diariamente foi de 3,1%, dez vezes menor.

Assim os efeitos negativos se somam: o cigarro causa malefícios diretos e os fumantes tem uma tendência estatística a terem mais obesidade abdominal que os não fumantes, o que vai trazer mais malefícios ainda

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O tabagismo, sob vários aspectos pode ser considerado uma doença pediátrica, porque na maior parte dos casos a experimentação com o cigarro que conduz ao vício acontece no final da infância ou na adolescência. Assim, cabe aos pais uma parcela importante de tentar impedir esse começo do vício, pelo exemplo, pela autoridade e pelo carinho. Outras parcelas importantes devem vir da escola e de políticas governamentais mais restritivas do acesso de crianças e adolescentes ao cigarro.

Fontes: [1] Preventive Medicine - Assessing the relationship between smoking and abdominal obesity in a National Survey of Adolescents in Brazil Autores: Neilane Bertoni,Liz Maria de Almeida,Moysés Szklo,Valeska C. Figueiredo,André S. Szklo [2] Harvard Medical School - Abdominal obesity and your health [3] Oxford Academic – European Heart Journal - Abdominal obesity: the most prevalent cause of the metabolic syndrome and related cardiometabolic risk [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Estudo associa fumar a aumento da circunferência abdominal entre adolescentes brasileiros

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Maio 2018

Dia Mundial Sem Tabaco

No 31 de maio acontece o Dia Mundial Sem Tabaco.

A OMS – Organização Mundial da Saúde (WHO – World Health Association), uma agência da Nações Unidas, promove desde 1987 um dia para desestimular o consumo de cigarro e outros derivados do tabaco. A data original usada foi 7 de abril de 1988, como o primeiro “dia mundial sem fumar” e a partir de 1988 se estabeleceu o 31 de maio e a mensagem mais geral de combate a todos os derivados do tabaco e não apenas o cigarro.

A ideia é estimular os fumantes e usuários de outras formas de tabaco (como cachimbo, charuto, rapé, fumo de mascar e dispositivos de tabaco aquecido) a passarem pelo menos as 24 horas do dia 31 de maio sem consumir nenhum tabaco. Além de convocar diretamente as pessoas a pararem pelo menos nesse dia, a iniciativa pretende alertar a população aos riscos provocados por esses hábitos e encorajar governos a adotarem medidas para reduzir e restringir o hábito de fumar e outros usos do tabaco.

A cada ano a OMS escolhe um tema central da campanha a ser comunicado em campanhas publicitárias e eventos em todas as organizações de saúde ao redor do mundo. Em 2018 o tema escolhido foi doenças do coração provocadas pelo tabagismo. Embora o câncer seja a doença mais habitualmente lembrada pelas pessoas quando pensam nos malefícios provocados pelo cigarro (com razão, o cigarro é de longe o maior agente provocador de câncer voluntariamente evitável), o consumo de tabaco, em particular o hábito de fumar é responsável também por uma grande série de problemas cardiovasculares. A OMS estima que cerca de 12% das mortes por doenças do coração sejam provocadas pelo exposição direta ou inalação indireta (quando uma pessoa contamina o ambiente com fumaça que atinge outros) de fumaça de cigarro.

Segundo a OMS a epidemia global de tabaco (a OMS usa para o tabagismo a mesma nomenclatura de uma doença) mata a cada ano mais de 7 milhões de pessoas no mundo, das quais perto de 900.000 dos que morrem são fumantes indiretos que convivem com fumantes e respiram fumaça de segunda mão. Com a queda gradual do hábito de fumar nos países do 1º mundo o peso do problema tem recaído mais sobre os países pobres e em desenvolvimento: 80% dos estimados 1 bilhão de fumantes do mundo moram nestes países, o que agrava o problema pelo menor acesso a recursos de medicina e saúde.

No Brasil
No Brasil o INCA (Instituto Nacional do Câncer), órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, todo os anos por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco desenvolve campanhas para educar da população e influenciar o governo na direção dos temas da campanha. Por exemplo, na página do Dia Mundial Sem Tabaco no site do INCA podemos encontrar várias informações sobre o tabagismo no Brasil. Veja um excerto dessa página:

O CIGARRO ROUBA
4.203.383 ANOS de vida são roubados por morte prematura e incapacidade.
-6,71 ANOS de vida das mulheres e -6,12 ANOS de vida dos homens, em média.
-2,45 ANOS de vida das mulheres ex-fumantes e -2,66 ANOS de vida dos homens ex-fumantes, em média.
O CIGARRO MATA
428 PESSOAS MORREM por dia no Brasil por causa do tabagismo.
12,6% DE TODAS AS MORTES que ocorrem no país podem ser atribuídas ao tabagismo.
156.217 MORTES poderiam ser evitadas a cada ano.

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A hora de parar de fumar ou parar de consumir outros derivados do tabaco é agora. Aproveite o Dia Mundial Sem Tabaco para seguir o slogan da campanha: Faça de cada dia um dia sem tabaco. Sabemos, no entanto parar de fumar pode ser difícil. Se você não estiver conseguindo parar sozinho, procure ajuda. Procure conversar com um médico de sua confiança, ele pode ajudar.

Fontes: [1] WHO – World Health Organization - World No Tobacco Day, 31 May 2018 [2] WHO – World Health Organization - WHO global health days - World No Tobacco Day [3] INCA - Instituto Nacional do Câncer – 31 de maio Dia Mundial Sem Tabaco

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Abril 2018

Gerenciando Emoções

Um diagnóstico de câncer pode provocar muitas emoções negativas. É importante tentar controlá-las e superá-las.

Medo, tristeza, ansiedade, solidão ou a sensação de ser diferente dos outros, frustação e o sentimento de perda do controle sobre a própria vida, são naturais para quem enfrenta uma doença grave e um tratamento severo.

No entanto, é possível controlar as emoções negativas, estimular emoções melhores e controlar o stress. Não só para o conforto próprio e dos entes queridos ao longo da luta contra a doença, mas também porque uma atitude mais positiva pode ajudar na cura e recuperação.

Procure apoio psicológico
Muitas pessoas tem mais facilidade de aceitar, buscar ajuda e tratar doenças físicas do que problemas psicológicos, talvez por causa de um certo estigma ligado a estes tipos de problemas, talvez por vergonha de dividir seus sentimentos com outros, ou vergonha de parecerem “fracas” de não serem capazes de suportar o sofrimento sozinhas. No entanto é muito mais fácil de se lidar com emoções negativas com o apoio de outras pessoas:
- Procure conversar com pessoas que passaram ou estão passando pelo mesmo problema. Você descobrirá que não é único e que seus sentimentos não são motivo de vergonha, outras pessoas também os tiveram ou os tem.
- Procure grupos de apoio. Muitas cidades, igrejas e associações tem grupos para conversar sobre o câncer e seu tratamento.
- Peça e aceite ajuda para a família e amigos, para coisas simples ou complexas ou para dividir suas dúvidas e problemas.
- Não tenha vergonha de perguntar para seu médico e a equipe de seu tratamento todas as dúvidas e aflições que tiver, por mais íntimas ou vergonhosas que pareçam. As vezes a resposta correta é simples, natural e o melhor remédio para uma preocupação.
- Se puder, procure ajuda profissional: um psicólogo ou psiquiatra. Ajuda profissional pode tornar mais fácil a lidar com sentimentos confusos e possíveis mudanças físicas.

Mantenha-se ativo
Muitos pacientes de câncer se deixam levar pelo desânimo, pela atimia, pela vontade de não fazer nada que não seja ficar na cama ou na poltrona sentindo pena de si mesmos. No entanto, manter-se ativo pode ajudar no tratamento e na recuperação:
- Tente manter, pelo menos em parte, sua atividade profissional, se sua condição permitir e seu médico autorizar. Trabalhar ocupa a mente e a desvia de pensamentos negativos.
- Tente, na medida que sua condição física permitir, manter uma vida social, contatos mais frequentes com amigos e parentes.
- Com autorização e orientação do seu médico, faça atividade física, exercícios na intensidade maior que sua condição e seu tratamento permitirem.
- Tente um novo hobby ou atividade de lazer, como por exemplo aprender algum tipo de artesanato.

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Qualquer doença grave, em particular o câncer é motivo natural de preocupação, ansiedade e tristeza. No entanto, é possível encarar as coisas de forma mais positiva. Converse com seu médico e sua equipe de tratamento, exponha suas preocupações e dúvidas. Eles podem ajudá-lo a resolvê-las e enfrentá-las, bem como podem ajudar na busca de outros recursos de apoio.

Fontes: ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Managing Stress ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Self-Image and Cancer

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Março 2018

Mês da Mulher

No 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Vamos falar dos 3 tipos de câncer mais comuns nas mulheres no Brasil.

Câncer de Pele (não Melanoma)
O câncer de pele é dividido para efeito de estudo em dois tipos, Melanoma – que atinge os melanócitos, as células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele - e não Melanoma – que atinge as outras células da pele. As diferentes variantes do segundo tipo são as formas de câncer mais comuns no mundo. Segundo a WHO World Health Organization (Organização Mundial da Saúde) um em cada três cânceres diagnosticados no mundo é de pele. No Brasil o câncer de pele não Melanoma também é o tipo de câncer mais comum, sendo previsto pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) que represente pouco mais de 25% dos casos da doença no país em 2018, tanto em homens quanto em mulheres.

O câncer de pele não Melanoma tem um prognóstico melhor que outros tipos de câncer porque tem relativa baixa probabilidade de metástase – espalhamento para outros órgãos do corpo – e porque qualquer doença no exterior do corpo, na pele, tem maior facilidade de ser enxergada e descoberta e depois acessada fisicamente para procedimentos e tratamentos, do que uma doença em um órgão interno do corpo, onde fica mais difícil de se perceber e de se tratar. No entanto, o câncer de pele não Melanoma, como qualquer câncer, não pode ser encarado com leveza ou indiferença. Se não tratado pode causar grandes lesões, até desfigurantes no seu local de origem e pode sim, em alguns casos, se espalhar e levar à morte. No Brasil em 2013 (últimos dados disponíveis no site do INCA) houve cerca de 1.800 mortes provocadas por este tipo de câncer.

Câncer de Mama
O câncer de mama é o câncer mais comum nas mulheres depois do câncer de pele. Embora possa também raramente acometer os homens (menos de 1% dos casos) representa 28% dos casos de câncer (fora os de pele) em mulheres no Brasil. E, infelizmente, é o tipo de câncer que mais mata, sendo atribuídas a esta doença 14.388 mortes (181 homens e 14.206 mulheres) no Brasil em 2013 (últimos dados disponíveis no site do INCA).

No entanto, nem todos os tipos de câncer de mama são agressivos – de crescimento rápido – e em qualquer caso a detecção e tratamento precoces são muito importantes para o resultado da doença. Prova disso é que a taxa de mortalidade do câncer de mama é relativamente maior nas regiões mais pobres do Brasil e do mundo, em parte porque as mulheres são menos informadas sobre detecção precoce e em parte porque o sistema de saúde é mais deficitário. Estudo realizado em hospital de referência no estado do Espírito Santo, divulgado pelo INCA, determinou que as mulheres com baixo grau de instrução (analfabetas ou ensino primário) tem 4,3 vezes mais chances de serem diagnosticadas de câncer de mama quando já em estado tardio do que as de maior grau de instrução [4]. Como sempre no câncer, nos estados mais tardios a doença é mais difícil de tratar e o prognóstico mais sombrio.

Câncer do Colón e Reto (Colorretal)
O terceiro câncer mais incidente em mulheres no Brasil é o câncer do cólon e do reto, as porções finais do intestino. Nesse sentido o Brasil acompanha o que acontece no mundo, onde este tipo de câncer é o terceiro mais comum e o quarto que mais mata. Embora de etiologia complexa, como todos os cânceres, alguns estudos indicam que o aumento da incidência desse tipo de câncer nas nações industrializadas e nos países em desenvolvimento como o Brasil seja parcialmente relacionado às crescentes mudanças na dieta e atividade física das pessoas, em particular sedentarismo e uma dieta pobre em vegetais, legumes e cereais integrais, bem como um aumento da ingestão de alimentos processados industrialmente. O aumento da incidência da doença também foi observado nos casos de imigração para países de dieta de maior risco, como por exemplo do Japão para os EUA, o que reforça uma possível correlação entre dieta industrializada e o câncer colorretal. Números da WHO indicam que se diagnosticado precocemente o câncer colorretal pode ter até 90% de sobrevivência do paciente por pelo menos 5 anos, porém apenas 8% de sobrevida nos casos diagnosticados em estágios mais avançados.

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O câncer é um conjunto de doenças de origem complexa e de causas múltiplas, onde fatores pessoais - como a idade e a genética de cada pessoa - interagem com fatores ambientais – como a poluição e a latitude onde a pessoa mora - e comportamentais – como fumar e beber - para aumentar ou diminuir risco de se vir a desenvolver a doença. Sobre muitos destes fatores não temos controle, mas sobre os que temos é possível tomar atitudes preventivas.

Então, especialmente às mulheres que nos leem nesse mês da mulher, recomendamos tomar cuidados com os fatores comportamentais relacionados ao aumento de risco dos 3 tipos de câncer mais comuns nas mulheres no Brasil: exposição exagerada ao Sol, alto índice de massa corporal, baixa ingestão de frutas e vegetais, falta de atividade física, uso de tabaco e consumo de álcool. Além disso procurem se informar com seus médicos ou profissionais de saúde quais exames de detecção precoce do câncer seriam indicados no seu caso específico.

Cuidem-se e vivam melhor!

Fontes: [1] WHO World Health Organization – Skin Cancers [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Estimativas Câncer 2018 [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Pele não Melanoma [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Universidade Federal do Espírito Santo - Perfil Sócio Demográfico e Estádio Tumor de MamaPriscilla Ferreira e Silva; Maria Helena Costa Amorim; Eliana Zandonade; Katia Cirlene Gomes Viana - [5] WHO World Health Organization – Cancer Fact Sheet [6] WHO World Health Organization – World Health Report – Cancer

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Fevereiro 2018

600 mil casos para 2018

Documento "Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil" projeta 600 mil novos casos para o ano

Desde 1995, a cada ano o Ministério da Saúde do Brasil em conjunto com o INCA – Instituto Nacional do Câncer – publica sua Estimativa Incidência de Câncer no Brasil, um documento que tenta prever os novos casos da doença que irão ocorrer no país. Em 2018, o documento foi apresentado no dia 2 de fevereiro, na sede do INCA no Rio Janeiro, como parte das atividades em torno do Dia Mundial do Câncer, o 4 de fevereiro.

O documento visa principalmente apoiar os hospitais, clínicas, centros de saúde e gestores públicos e privados, no planejamento e alocação e recursos materiais e humanos para o combate à doença no período. Além disso suas informações podem ser usadas no esforço de comunicação para as atividades de detecção precoce e prevenção da doença.

O Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil contém várias tabelas e gráficos, dividindo os números por tipo de câncer, sexo do doente e regiões do país, bem como comentários e análises sobre cada item. Na sua apresentação, os gestores do INCA alertaram para o fato que o câncer cresceu 20% na última década em todo o mundo e que a maior parte deste crescimento aconteceu nos países de média e baixa renda como o Brasil, o que alerta os entes públicos e da sociedade civil, ligados à prevenção e combate à doença, para redobrarem sua atenção e esforços.

Outro tema debatido na mesma ocasião foi como a questão das “Fake News” - informações falsas divulgadas através de redes sociais como se fossem verdadeiras - podem afetar a compreensão da população sobre o câncer, sua prevenção, detecção precoce, combate, diagnóstico e prognóstico, sendo ressaltados o papel dos profissionais de saúde na educação e esclarecimento da população, além de seu papel funcional já esperado.

Segue-se uma síntese dos resultados da ESTIMATIVA 2018, os 10 principais tipos de câncer previstos a ocorrer no país:

1 Câncer de pele
Para o Brasil, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele não melanoma entre homens e 80.410 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. É o tipo de câncer mais incidente no Brasil em ambos os sexos, em todas as regiões do país.

2 Câncer de próstata
Para o Brasil, estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as Regiões do país.

3 Câncer de mama
Para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (onde, nas mulheres, o câncer do colo do útero é o mais incidente depois dos de pele).

4 Câncer de cólon e reto
Para o Brasil, estimam-se 17.380 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 18.980 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. É o terceiro mais frequente em homens e o segundo entre as mulheres.

5 Câncer de pulmão
Para o Brasil, estimam-se 18.740 casos novos de câncer de pulmão entre homens e de 12.530 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

6 Câncer de estômago
Para o Brasil, estimam-se 13.540 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.750 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

7 Câncer do colo do útero
Para o Brasil, estimam-se 16.370 casos novos de câncer do colo do útero para cada ano do biênio 2018-2019.

8 Câncer da cavidade oral
Para o Brasil, estimam-se 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

9 Câncer do Sistema Nervoso Central
Para o Brasil, estimam-se 5.810 casos novos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) em homens e 5.510 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

10 Leucemia
Para o Brasil, estimam-se 5.940 casos novos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019.

O GPOI
O GPOI saúda mais essa Importante contribuição para as políticas nacionais de saúde trazida pelo Ministério da Saúde e o INCA – Instituto Nacional do Câncer – e lembra que cabe a cada um de nós se esforçar na prevenção, diagnóstico precoce e combate ao câncer para que, se possível, chegarmos ao final de 2018 com números reais da doença menores que os previstos na ESTIMATIVA.

Fontes: [1] INCA Instituto Nacional do Câncer - INCA estima cerca de 600 mil casos novos de câncer para 2018 [2] INCA Instituto Nacional do Câncer - Estimativa 2018 Incidência de Câncer no Brasil

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Janeiro 2018

5 resoluções de Ano Novo

Nossas sugestões de resoluções de ano novo para você diminuir o risco de câncer.

Chamamos de câncer o conjunto de doenças caracterizado por um processo de multiplicação descontrolada e anormal de células de nosso corpo, que uma vez começado, geralmente não para sem intervenção médica. Essa multiplicação descontrolada, crescente e sem parada de células defeituosas pode levar a sérios danos físicos e bioquímicos no nosso organismo e muitas vezes até a morte. A “quebra” do mecanismo de reprodução ordeira de uma célula, que dispara sua multiplicação doentia, pode ser provocada por uma série de fatores, pessoais e ambientais, que interagem de forma complexa e em muitos casos não completamente entendida pela ciência.

No entanto, ao longo do tempo foram sendo identificados fatores que tem grande correlação estatística com o aparecimento da doença, em outras palavras, fatores que quando presentes aumentam a chance de seus portadores virem a ter a doença. Sobre parte deles temos algum grau de controle – como o que comemos, por exemplo – sobre outros – como a herança genética que recebemos de nossos pais e nossa idade – não temos. Dado isso, se eliminarmos ou diminuirmos em nossas vidas o fatores sobre os quais temos controle, fatores que sabemos aumentar o risco de câncer, podemos estar diminuindo em parte a chance de virmos a desenvolver a doença. Para tanto, segue então nossa sugestão de resoluções de ano novo:

Resolução 1: Manter um peso saudável.
O excesso de peso corporal está fortemente associado ao aumento de risco de 13 tipos de câncer: esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama (mulheres na pós-menopausa), ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo. Além disso, também foi encontrada alguma relação estatística (a ser melhor estudada) entre obesidade e os cânceres de próstata (avançado), mama (homens) e linfoma difuso de grandes células B. [1]

Resolução 2: Limitar a ingestão de bebidas alcoólicas
O etanol, quando consumido em quaisquer quantidades, pode aumenta o risco de câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon e reto) e mama (pré- e pós-menopausa). [2]

Resolução 3: Parar de fumar
O tabagismo tem relação com vários tipos de câncer (pulmão, cavidade oral, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero e leucemias) e é responsável por cerca de 30% das mortes por câncer.

O principal câncer associado ao tabagismo é o de pulmão. Fumantes chegam a ter 20 vezes mais chances de ter esse tipo de câncer que não fumantes, 10 vezes mais chances de ter câncer de laringe e de duas a cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de esôfago. [3]

Resolução 4: Proteger-se do Sol
Exposição prolongada e/ou repetida ao Sol é o maior fator de risco para o câncer de pele. Em um país tropical como o Brasil e de grande prevalência dos habitos de ir à praia e lazer ao livre, o câncer de pele é o mais frequente no país e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados. [4][5]

Resolução 5: Precaver-se contra as doenças virais ligadas ao câncer
Há fortes evidências científicas que algumas infecções virais induzam ao câncer. Estima-se que 18% dos cânceres no mundo sejam provocados por agentes infecciosos (percentual que os coloca, ao lado do fumo, como os agentes cancerígenos mais importantes). O principais são: Papilomavírus humano (HPV), Vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), Vírus Epstein-Barr, Herpes vírus 8 (HHV8) e Vírus T-linfotrópico humano tipo I (HTLV-I). [6]

O GPOI comenta
Muitas pessoas se incomodam com o caráter probabilístico da vida, com o fato que não temos controle total sobre o que nos acontece. Por mais esforçados e bem intencionados que sejamos, o acaso sempre está envolvido, em maior ou menor grau, nos resultados. Em particular para uma doença grave como o câncer, gostaríamos de ter uma “receita de bolo” comportamental infalível, que se seguida, nos livrasse de um dia vir a desenvolver a doença. Infelizmente, esta receita não existe.

No entanto, a ciência vem acumulando, ao longo das décadas, uma série de evidencias sobre fatores que aumentam o risco do câncer. Tentarmos evitar ou diminuir estes fatores, diminuindo a chance de vir acontecer conosco é nossa sugestão para um bom conjunto de resoluções de ano novo. Pode diminuir as chances de doença em 2018 e nos próximos anos. Feliz Ano Novo!

Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer - INCA lança posicionamento com indicações para evitar sobrepeso e obesidade, que estão relacionados a treze tipos de câncer [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer - Bebidas alcoólicas [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tabagismo [4] INCA – Instituto Nacional de Câncer – PELE NÃO MELANOMA [5] INCA – Instituto Nacional de Câncer - PELE MELANOMA [6] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Infecção e câncer

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Dezembro 2017

Mais de 50% tem HPV

Pesquisa nacional encontra mais metade dos testados contaminada com HPV – vírus que em alguns casos podem provocar câncer.

A pesquisa
No 27 de novembro, Dia Nacional de Combate ao Câncer, o Governo Federal apresentou resultados preliminares da pesquisa POP-Brasil-Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV, que pretende mapear a contaminação por essa família de vírus no país, visando orientar as políticas para seu combate. Ao longo do estudo cerca de 2.600 pessoas entre 16 e 25 nos de idade foram testadas, em 119 Unidades Básicas de Saúde e um Centro de Testagem e Aconselhamento, nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal. Neste grupo testado, 54,6% deram resultado positivo, sendo que 38,4 % com os tipos de HPV que trazem alto risco para o desenvolvimento do câncer. [1]

O HPV
HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano (Human papillomavirus), uma família de mais de 150 tipos de vírus, transmitidas pelo contato entre pele ou mucosas de pessoa a pessoa. Os diferentes tipos de vírus da família HPV costumam ser chamados por números, por exemplo HPV-11 ou HPV-18, e podem apresentar diferentes manifestações e sintomas nas pessoas contaminadas por eles. Um dos sintomas comuns de contaminação por HPV é o aparecimento de verrugas em diferentes partes do corpo. [2] Da família do HPV, cerca de 40 tipos podem infectar o trato ano-genital, provocando verrugas e outras lesões nessas regiões.

Algumas dessas lesões, se não identificadas e tratadas, podem ao longo do tempo se tornar crônicas e dar início a um câncer. Pelo menos 13 dos tipos de HPV são considerados oncogênicos, ou seja as lesões que provocam tem relação estatística com o desenvolvimento de cânceres. Em particular os tipos 16 e 18 são encontrados em 70% dos casos de câncer do colo do útero. [3]

Além dos genitais e do ânus o HPV pode causar câncer na boca, língua e garganta. Nos últimos anos vem acontecendo uma aumento do números destes cânceres orais ligados ao HPV entre homens e mulheres, e estudos sugerem que esse fenômeno possa estar ligado a mudanças nos hábitos sexuais, como o aumento da prática do sexo oral, entre outros. [2]

O câncer do colo do útero
Dos vários tipos de câncer associados ao HPV, o de maior relação é o câncer do colo do útero. Estima-se que diferentes tipos de HPV provoquem praticamente todos os casos de câncer do colo do útero. [2] No entanto, é importante lembrar que a maioria das infecções por HPV não irão provocar o câncer.

O colo do útero é a porção do final deste órgão, localizada no fundo do vagina. O HPV pode provocar lesões nessa região, chamadas de lesões precursoras que quando não tratadas podem dar início a um câncer. No entanto, essas lesões são totalmente tratáveis e curáveis antes de se agravarem. Um problema é que por ser uma região interna no corpo essas lesões não são visíveis externamente e na maioria das vezes não apresentam sintomas, então é necessário que as mulheres realizem exames periódicos preventivos, Papanicolaou ou citopatológico, onde são colhidas amostras da região para exame em laboratório.

O Ministério da Saúde do Brasil recomenda que estes exames sejam feitos preferencialmente por todas as mulheres entre 25 e 64 anos, que tenham ou tenham tido vida sexual ativa, primeiro anualmente e depois, se os resultados forem negativos, a cada três anos. [3]

Prevenção
A principal forma de prevenção do contágio pelo HPV é vacinação. Existem vacinas que protegem contra os tipos 6, 11, 16 e 18, estes dois últimos estreitamente correlatos estatisticamente ao câncer de colo do útero, como vimos. Em ideal, deve-se vacinar a população em geral antes do começo da vida sexual, então recomenda-se que a vacinação seja feita entre os 9 a 14 anos de idade. [4] O uso de preservativos – camisinha - em todas as relações sexuais, também é uma forma parcial de prevenção do contágio pelo HPV e outros vírus e bactérias sexualmente transmissíveis, no entanto, infelizmente, a camisinha não protege totalmente do HPV porque o contágio pode ocorrer pelo contato das regiões externas dos genitais, não cobertas ou protegidas pelo preservativo, como a pele da vulva, região perineal e bolsa escrotal. [4] Além disso, um portador de HPV pode não ter nenhuma lesão ou verruga visível e ainda assim passar a doença para outras pessoas. [2]

Gerenciamento da infecção
O HPV não tem cura. Assim, além dos cuidados preventivos, o que a medicina pode fazer para quem já está contaminado é cuidar dos sintomas, remover as lesões – verrugas e lesões pré-cancerosas. Essa remoção pode ser feita por diferentes processos cirúrgicos ou químicos. No entanto, a remoção de verrugas e lesões não elimina o vírus do corpo da pessoa – que podem ficar hospedados em outras células - e as lesões podem retornar, em ocasiões que a pessoa tiver seu sistema imunológico enfraquecido. Além disso, uma pessoa portadora de HPV que tenha suas lesões removidas pode continuar contaminando outras, porque continua com a doença, só que não aparente. [2]

O GPOI recomenda
Os responsáveis por crianças e adolescentes devem se informar em postos ou unidades de saúde sobre os programas de vacinação para o HPV e devem leva-los para tomar as vacinas conforme indicado. No Brasil, o serviço público de saúde oferece a vacina do HPV para meninas de 9 a 15 anos e meninos de 11 a 15 anos de idade incompletos (14 anos, 11 meses e 29 dias). Além de crianças e adolescentes a vacinação também pode ser recomendada para portadores de HIV/Aids até os 26 anos de idade [5].

Se você for mulher procure seguir no mínimo as recomendações do Ministério da Saúde para os exames preventivos de lesões precursoras do câncer de colo do útero, bem como fazer os tratamentos se for o caso. Pessoas de ambos os sexos devem ficar atentas a verrugas ou lesões na pele ou mucosas em qualquer parte do corpo e devem procurar uma consulta médica para tirar as dúvidas a respeito, ou tratá-las se necessário.

Fontes: [1] Ministério da Saúde - Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais - Estudo apresenta dados nacionais de Prevalência da Infecção pelo HPV [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – HPV and Cancer [3] INCA – Instituto Nacional de Câncer – HPV e Câncer [4] INCA – Instituto Nacional de CFIOCRâncer – Controle do Câncer do Colo do Útero [5] Fundação Oswaldo Cruz - Agência Fiocruz de Notícias - Vacina de HPV é ampliada para meninos de 11 a 15 anos

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Novembro 2017

Homens, Cuidem-se!
Logo Novembro Azul

O mês de novembro é dedicado internacionalmente a campanhas pró saúde masculina.

Movember
Na década de 90 do século 20, começou na Austrália um movimento pela conscientização dos homens para seus problemas de saúde específicos. A ideia dos jovens australianos fundadores do movimento foi, como um paralelo ao Outubro Rosa, um mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, uma doença majoritariamente feminina, criar-se um mês dedicado à conscientização e prevenção de doenças masculinas.

O movimento foi denominado Movember, uma contração das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (Novembro) e como campanha de marketing do movimento criou-se a ideia que os homens deixassem crescer os seus bigodes ao longo desse mês [1]. No primeiro mundo, em particular nos países de língua inglesa, o movimento foi e é um sucesso, sendo comum ver-se homens comuns e celebridades deixarem crescer seus bigodes ao longo deste mês, como apoio ao movimento.

No Brasil
Aqui no país ao longo do século 21 foram surgindo campanhas de organizações da sociedade civil e do governo inspiradas no Movember internacional, procurando tornar o mês de novembro um mês dedicado à prevenção e combate das doenças masculinas, particularmente focadas em incentivar os homens a procurarem o exame do toque retal da próstata, um dos exames preventivos ao câncer de próstata, sob a denominação geral Novembro Azul, provavelmente em contraponto ao Outubro Rosa.

Devido, talvez, à falta de uma organização central foram adotados como símbolos do movimento diferentes logos e grafismos para a campanha: laço azul, fundo azul com texto em branco, o bigode negro do Movember e outros. Agora em 2017 o que mais se vê em pôsteres, campanhas na imprensa e alfinetes de lapela no país é um laço azul sobreposto por um bigode preto, em um sincretismo de Novembro Azul com Movember.

A revisão dos objetivos
Ao longo da primeira década do século 21 foram surgindo dúvidas que rastreamento para o câncer de próstata, através do exame de toque retal ou dosagem de PSA, traga mais benefícios que malefícios, como política de saúde pública. Por rastreamento, entende-se realizar exames periódicos em indivíduos sem sinais ou sintomas da doença, visando detectá-la em sua fase pré-clínica. Os benefícios seriam a possível detecção de um câncer que precise ser tratado.

Os possíveis malefícios incluem resultados falso-positivos, infecções e sangramentos resultantes de biópsias, ansiedade associada ao sobrediagnóstico (overdiagnosis) de câncer e danos resultantes do sobretratamento (overtreatment) de cânceres que nunca iriam evoluir clinicamente. Já em 2004, a Organização Mundial de Saúde (WHO – World Health Association) começou a alertar para o problema [2] e, conforme outros estudos foram sendo realizados, em 2010 o Reino Unido suspendeu esse rastreamento, os EUA em 2012 e o Brasil a partir de 2013.

Segundo o INCA: “Por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício, o Instituto Nacional de Câncer mantém a recomendação de que não se organizem programas de rastreamento para o câncer da próstata e que homens que demandam espontaneamente a realização de exames de rastreamento sejam informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática” [3].

O novo Novembro Azul
Como a tese central do movimento brasileiro Novembro Azul - estimular os homens assintomáticos a se submeterem em massa ao exame de toque retal - passou a ser considerada pelas organizações mundiais e nacionais de saúde mais maléfica que benéfica, o movimento se encontra em uma fase de transição para a promoção de objetivos mais difusos e genéricos de saúde masculina.

Em 2015, em posicionamento oficial do Ministério da Saúde do Brasil e do INCA em relação ao movimento Novembro Azul, foi emitida uma nota técnica onde se reforça a não recomendação do rastreamento – “o MS (Ministério da Saúde) não recomenda a organização de programas de rastreamento do câncer de próstata” (lembramos aqui que rastreamento, nesse contexto de saúde pública significa realizar exames periódicos em indivíduos sem sinais ou sintomas de doença, visando detectá-la em sua fase pré-clínica).

O MS recomenda aproveitar-se a mobilização social e de mídia do mês para a promoção de outros temas de saúde masculina – “acesso e acolhimento, prevenção de violência e acidentes, saúde sexual e reprodutiva, paternidade ativa e cuidado, saúde mental, hipertensão, diabetes e estímulo a hábitos saudáveis” [4].

O câncer de próstata
O câncer de próstata – o crescimento incontrolado e anormal de células desse órgão – é o câncer que mais atinge homens no Brasil depois dos cânceres de pele, com estimativa anual do INCA de cerca de 16.000 novos casos (dados 2016) e 13.000 mortes (dados 2013) [5]. Quanto ao sintomas, segundo o INCA “em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa.

Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal” [6].

O GPOI recomenda
Se você tem sintomas, sinais ou mudanças em seus hábitos urinários ou sexuais, ou ainda se você tem parentes de 1º grau – pai, irmãos – que tem ou tiveram câncer de próstata, você deve considerar a possibilidade de uma consulta médica para conversar com seu médico sobre possíveis benefícios e riscos, no seu caso específico, da realização de exames para detecção do câncer de próstata ou outras doenças masculinas.

Fontes:
[1] Movember Foundation – Site em português Fundação Movember [2] WHO – World Health Organization - Should mass screening for prostate cancer be introduced at the national level? [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Rastreamento do Câncer de próstata [4] Ministério da Saúde – INCA – Nota Técnica Conjunta – Posicionamento do Ministério da Saúde acerca da integralidade da saúde dos homens no contexto do Novembro Azul [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata [6] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Próstata – Sintomas

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Outubro 2017

Detecção Precoce

A detecção precoce do câncer de mama pode aumentar muito as chances de sua cura.

Outubro Rosa
O câncer de mama é uma doença caracterizada pelo crescimento rápido e desorganizado de células anormais na mama, formando um tumor – uma massa de células doentes que cresce com o tempo. Além de poder provocar grande destruição local na mama, o câncer de mama pode se espalhar pelo corpo da pessoa portadora e formar tumores em outros pontos – um processo chamado metástase – levando a gravíssimas consequências, inclusive a morte. No Brasil é o tipo de câncer que mais atinge as mulheres, depois dos cânceres de pele. Também pode atingir homens, mas é muito raro no sexo masculino, 1% dos casos. As estimativas do INCA – Instituto Nacional do Câncer – para o câncer de mama no Brasil são de cerca de 57 mil novos casos por ano e cerca de 14 mil mortes. A detecção e o tratamento da doença nas suas fases iniciais, quando o tumor ainda está pequeno é a melhor estratégia no seu combate, porque permite um tratamento menos severo e aumenta as chances de cura. No entanto muitas mulheres ignoram ou evitam exames preventivos e procuram ajuda médica quando a doença já atingiu um estado mais avançado, o que torna o tratamento muito mais complexo e as chances de melhora menores. No mundo inteiro o mês de outubro é usado por organizações governamentais e da sociedade civil para realizar-se campanhas de conscientização das pessoas a respeito da doença e sua prevenção e combate. O conjunto dessas atividades é chamado de Outubro Rosa.

As recomendações do INCA
O INCA e o Ministério da Saúde do Brasil recomendam como estratégia preventiva ao câncer de mama a realização de mamografias, o exame de raio X das mamas, bianualmente para mulheres a partir dos 50 anos de idade até os 69 anos de idade, desde que assintomáticas e fora das populações de risco aumentado.

Sintomas e Sinais
No caso da pessoa identificar os sintomas descritos abaixo, o INCA recomenda a procura de uma consulta médica para uma avaliação profissional:
- Qualquer nódulo (caroço debaixo ou na pele com consistência diferente do resto da mama) mamário em mulheres com mais de 50 anos
- Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual
- Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade
- Descarga papilar sanguinolenta unilateral (sangramento pelo mamilo sem relações com a gravidez e a lactação)
- Lesão eczematosa (mancha vermelha, “inflamada”) da pele que não responde a tratamentos tópicos
- Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral
- Presença de linfadenopatia axilar (inchaço ou mudança de consistência dos gânglios linfáticos das axilas)
- Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja
- Retração na pele da mama
- Mudança no formato do mamilo

Risco aumentado
Algumas pessoas tem um risco estatístico maior de vir a desenvolver o câncer de mama e seria interessante procurarem uma consulta médica para verificação se precisariam de outros cuidados ou os mesmos com mais frequência que o recomendado pelo INCA para a população em geral:
- História familiar de câncer de ovário;
- Casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
- História familiar de câncer de mama em homens;
- Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

O GPOI comenta
O descaso ou evasão de exames preventivos para o câncer de mama acontece por desinformação, falta de recursos médicos em regiões carentes, vergonha relacionada às partes íntimas do corpo e suas doenças e até ao medo de receber um diagnóstico assustador como o de um câncer. No entanto, como para qualquer doença a melhor estratégia é deixar a vergonha e o medo de lado e procurar saber o mais rápido possível. Tratar o mais cedo possível se necessário e se não, dar seguimento mais tranquilo à vida.

Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Ministério da Saúde – Diretrizes para a Detecção precoce do Câncer de Mama no Brasil [2] INCA – Instituto Nacional de Câncer – Tipo de Câncer – Mama

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Setembro 2017

Nunca é tarde para parar

Nunca é tarde demais para parar de fumar. Não interessa sua idade nem se você fuma há pouco ou há muito tempo.

O cigarro provoca muitos malefícios à saúde, inclusive aumenta o risco de se vir a ter doenças cardíacas, respiratórias e diversos tipos de câncer. A maioria dos fumantes sabe disso, mas alguns não tentam parar de fumar usando a desculpa que já fumam há muito tempo, o mal já estaria feito. No entanto, isso não é verdade, parar sempre traz benefícios.

Os benefícios de parar
O primeiro benefício de parar de fumar é cortar a inflamação crônica da garganta e dos pulmões provocada pelo cigarro. Inflamação é associada ao risco de progressão de várias doenças, inclusive o câncer. Além disso, parar de fumar leva a uma melhora imediata do sistema imunológico, o que ajuda na melhora ou cura de muitas doenças. Parar de fumar também melhora a capacidade de recuperação de ferimentos, como cortes. No médio e longo prazos, parar de fumar melhora a capacidade respiratória e cardíaca, melhorando a qualidade geral de vida, a disposição para viver. Esses benefícios de curto ou de médio e longo prazos independem da idade do fumante ou de quanto tempo ele tenha fumado na vida.

Pacientes de câncer também precisam parar de fumar Alguns fumantes ao receber o diagnóstico de um câncer, especialmente de cânceres mais estatisticamente ligados ao cigarro como os cânceres de boca, garganta, pulmão e bexiga podem acreditar que não seria necessário parar de fumar, porque o cigarro já teria provocado o câncer. No entanto, o tratamento do câncer, a recuperação do tratamento e uma possível sobrevida podem ser muito melhores e mais confortáveis se o paciente parar de fumar.

Entre as vantagens de se parar de fumar após receber um diagnóstico de câncer podemos citar:

- Vida mais longa
- Uma melhor chance de tratamento bem sucedido
- Efeitos colaterais menores e menos graves do tratamento do câncer, incluindo cirurgia, quimioterapia e radioterapia
- Recuperação mais rápida do tratamento
- Menos risco de câncer secundário
- Menor risco de infecção
- Respiração mais fácil
- Mais energia
- Melhor qualidade de vida

Parar não é fácil, mas é possível
Todo fumante que já tentou parar sabe que não é fácil. A nicotina é uma substância que provoca grande dependência química e o hábito de fumar costuma estar entrelaçado a vários aspectos da vida social que podem funcionar como gatilhos de recaídas. O mais importante é você decidir que quer parar e ter um plano. Um plano de parar de fumar com chances de ser bem sucedido precisa ter pelo menos os 3 seguintes itens:

- Uma data para a parada: Você precisa ter uma convicção firme de quer parar e parte importante disso é marcar uma data e cumpri-la.
- Estratégias para lidar com as situações sociais ou pessoais que levam ao cigarro: É importante listar as situações em que você normalmente fuma, por exemplo depois do cafezinho no trabalho, após as refeições, no happy-hour com os amigos, e assim por diante. Daí pensar como seria possível evitar ou mudar essas situações de forma a interromper a sequência de processos que levam a fumar. Se você sempre fuma com seu cônjuge, por exemplo, é uma ótima ocasião para os dois tentarem parar juntos.
- Ajuda de um médico: parar de fumar é mais fácil se você tiver ajuda profissional. Um médico pode lhe indicar terapias psicológicas ou medicamentosas, ou ainda indicar grupos de apoio que possam ajudar no processo de parada.

O GPOI comenta
Não importa se você é jovem ou idoso, se começou a fumar há 10 meses ou 10 anos, se acha que está saudável ou se já foi diagnosticado com câncer, nunca é tarde demais para parar de fumar.

Fontes: [1] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net - Why It’s Never Too Late to Quit Smoking [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net - Quitting Smoking After a Cancer Diagnosis, with Anthony Alberg, PhD, MPH [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net - Benefits of Quitting [4] ASCO – American Society of Clinical Oncology – cancer.net – How to Quit Smoking and Using Tobacco

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Agosto 2017

Sobrepeso, obesidade e câncer

Hábitos incorretos de alimentação e atividade física podem levar ao aumento do risco estatístico de vários tipos de câncer

A posição do INCA
O INCA – Instituto Nacional do Câncer – lançou, no dia 4 de agosto, o documento “Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade”, onde procura informar a população sobre os riscos da sobrepeso e a obesidade, em particular os riscos ligados ao aumento estatístico de alguns tipos de câncer nas pessoas nessas condições.

A publicação do documento também visa apoiar as políticas governamentais no combate ao excesso de peso, como por exemplo restrição da publicidade e promoção de alimentos e bebidas não saudáveis dirigidas ao público infantil; restrição da oferta de bebidas e alimentos ultra processados nas escolas e aprimoramento das normas de rotulagem de alimentos que deixem a informação mais compreensível e acessível.

O “Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade” também enfatiza a importância da criação de bons hábitos alimentares na infância e adolescência, pela maior facilidade do estabelecimento de hábitos de longo prazo nessas épocas formativas da personalidade e também para evitar o efeito cumulativo de muitos anos de fatores de risco.

Quem está acima do peso
No Brasil, segundo o INCA, 56,9% da população está acima do peso, ou seja 82 milhões de brasileiros acima de 18 anos pesam mais do que seria considerado saudável. E esta parece ser uma tendência crescente quando comparada com pesquisas de peso da população feitas em anos anteriores. Mais preocupante ainda é que a tendência de aumento de peso vem acontecendo também nas crianças. Dados de 2009 (últimos dados informados pelo INCA) indicam que cerca de 22% dos meninos e 19% das meninas entre 5 e 9 anos estão acima do peso, no Brasil. A grandeza desses números mostra que o problema já atinge escala de epidemia no pais e necessita da atenção de todos.

Obesidade e Câncer
Vários estudos científicos tem apontado forte correlação estatística entre obesidade e o aumento de risco para os seguinte cânceres: esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), pâncreas, vesícula biliar, fígado, Intestino (cólon e reto), rins, mama (mulheres na pós-menopausa), ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo e possivelmente associado aos de próstata (avançado), mama (homens) e linfoma difuso de grandes células B. Além da obesidade, um peso alto no nascimento e o ganho e perda de peso repetidas vezes também parecem aumentar o risco da doença, segundo alguns estudos.

No Brasil o INCA estima em seu documento “Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade” que mais de 5% dos cânceres em mulheres e 2% em homens podem ser atribuídos a esses fatores de risco. O documento do INCA também afirma que se somarmos à obesidade a inatividade física e o consumo de bebida alcoólica (fatores que muitas vezes estão juntos), tem-se a provável causa para cerca de 21% dos cânceres em mulheres e 22,4% nos homens, num total estimado de 126 mil novos casos da doença para o ano de 2017.

Porque a obesidade aumenta o risco de câncer
Embora nem todas as relações causais entre peso e câncer tenham sido estabelecidas com clareza, as razões mais prováveis entre obesidade e aumento do risco de câncer são: aumento dos níveis de insulina (que pode estimular alguns cânceres a crescer), inflamação crônica de baixa intensidade (comum em obesos) que pode levar à mutações no longo prazo, níveis mais altos de estrogênio (produzidos no tecido adiposo) que podem estimular cânceres sensíveis a este hormônio, como o câncer de mama e do endométrio (a mucosa que recobre a face interna do útero) e as células de gordura podem interagir com processos que regulam o crescimento de cânceres.

O GPOI comenta
Se você ou alguém da sua família está acima do peso, pode ser a hora de procurar um médico para avaliar os possíveis caminhos para um emagrecimento saudável e duradouro. Emagrecendo para o peso ideal, a pessoa aumenta o seu bem estar e diminui os riscos de várias doenças, entre eles, os de alguns tipos de câncer.

Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Notícias - INCA lança posicionamento com indicações para evitar sobrepeso e obesidade, que estão relacionados a treze tipos de câncer [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva Acerca do Sobrepeso e Obesidade [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology - cancer.net - Obesity, Weight, and Cancer Risk

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Julho 2017

Férias, proteja-se do Sol

Apesar do frio de inverno, é necessário proteger a pele.

O que o Sol envia para a Terra
O Sol que nos permite a vida, emite na direção da Terra um amplo espectro de radiação eletromagnética em várias frequências. Uma parte é calor e a luz visível – que vai do vermelho ao violeta, passando pelo azul, verde, amarelo, etc., as cores do arco-íris - e outra parte é composta de radiação ultravioleta, luz de frequência mais alta que a última cor que conseguimos enxergar, o violeta. Essa radiação invisível aos olhos humanos, é chamada de luz ou radiação ultravioleta, radiação UV ou raios UV.

A radiação UV tem alguns efeitos benéficos, como ajudar na síntese de vitamina D (uma parte da radiação UV interage com substância químicas nas camadas mais profundas de pele produzindo a vitamina) e ajudar na desinfecção de objetos e ambientes (a radiação UV mata algumas bactérias e fungos) mas oferece riscos à saúde porque ao penetrar nas células pode provocar alterações nessas células que mais tarde podem dar origem a um câncer de pele.

O câncer de pele
Em um organismo sadio, as células se reproduzem de forma ordeira, por exemplo quando necessário reparar um tecido orgânico gasto ou machucado. No entanto, algumas vezes esse mecanismo se quebra e essas células defeituosas começam a se reproduzir rápida e descontroladamente, prejudicando o funcionamento do corpo e podendo levar a sérias consequências e até à morte. Esse é o processo que chamamos de câncer. Quando essa multiplicação descontrolada de células acontece em algum dos diferentes tipos de células que compõe a pele, é o câncer de pele, que classificamos em dois tipos principais:

Pele não Melanoma
É o tipo de câncer mais frequente no Brasil, com estimativa de cerca de 175.000 novos casos e 1.769 mortes para esse ano, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer). A relativa baixa mortalidade em relação à grande incidência provavelmente se deve à relativa facilidade da doença ser percebida e tratada, por acontecer na parte externa, visível, do corpo e por ser um tipo de câncer de relativo menor índice de metástase – espalhamento pelo corpo, em relação ao Melanoma. No entanto, se não descoberto e tratado cedo, pode provocar grandes danos e em alguns casos, como vimos na estatística do INCA, levar à morte seu portador.

O câncer de pele não Melanoma ocorre principalmente nas áreas do corpo mais expostas ao Sol, como rosto, pescoço e orelhas e pode se manifestar de diferentes maneiras, mas você deve procurar uma consulta médica se tiver (atenção, nenhum sintoma descrito aqui é garantia que você tenha ou não qualquer doença, sempre procure uma consulta médica):

- Manchas na pele que coçam, ardem, descamam ou sangram.
- Feridas que não cicatrizam em quatro semanas.

Melanoma
O Melanoma é um câncer que recebe este nome porque se inicia nos Melanócitos, as células produtoras de Melanina, a substância que dá a cor na pele. Representa apenas 3% do total de cânceres de pele. Segundo o INCA são estimados cercas de 5.670 novos casos da doença e 1.547 mortes pela doença, para o ano de 2016 (última estatística disponível). Apesar da baixa incidência relativa, o Melanoma é um câncer grave pelo alto índice de metástase, possibilidade de se espalhar para outros órgão do corpo. O melanoma pode ocorrer em qualquer parte do corpo, incluindo couro cabeludo, debaixo das unhas ou nas palmas das mãos ou solas dos pés.

Os principais sinais do Melanoma, que recomendam uma consulta médica, são manchas ou pintas na pele que caiam na regra do ABCDE (atenção, nenhum sintoma descrito aqui é garantia que você tenha ou não qualquer doença, sempre procure uma consulta médica):

Assimetria: formato irregulares; Bordas: bordas irregulares;
Cor: mais de uma cor;
Diâmetro: maior que 6mm de diâmetro;
Evolução: mudança rápida na aparência (tamanho, forma, cor ou espessura)

Além da regra do ABCDE, sempre procure uma consulta médica para qualquer lesão ou alteração na sua pele que julgar suspeita. Sempre é preferível ter um diagnóstico médico o mais cedo possível e livrar-se da preocupação ou começar a tratar se for o caso.

Fatores de Risco e Prevenção

Os fatores de risco mais associados estatisticamente ao aumento de risco do aparecimento do câncer de pele são:

- Exposição prolongada e repetida ao sol (raios ultravioletas - UV), principalmente na infância e adolescência.
- Ter pele ou olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros, ou ser albino.
- Ter história familiar ou pessoal de câncer de pele.

Os fatores de prevenção são:

- Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
- Procurar lugares com sombra.
- Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas.
- Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 15, no mínimo.
- Usar filtro solar próprio para os lábios.

É importante lembrar:

- Embora mais comum em pessoas de pele clara, o câncer de pele pode acontecer com qualquer pessoa, assim todos devem se proteger. Para ajustar sua exposição ao Sol ao seu tom de pele, basta saber que se após o Sol a pele ficou vermelha, irritada, ou pior ainda, descascou, você tomou sol demais (ou usou proteção de menos) para o seu tipo de pele.
- Em dias nublados, ou quando você vai ficar na sombra de um guarda-sol ou árvore também é preciso usar protetor solar. Lembre-se que a radiação UV é invisível.
- No inverno é preciso especial cuidado com proteção solar porque o ar frio pode nos dar a sensação enganosa que o Sol não está queimando ou que está queimando menos que nos dias quentes.

O GPOI comenta
Aproveite o Sol com bom senso (e protetor solar) e boas férias de julho!

Fontes: INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Pele não Melanoma INCA – Instituto Nacional do Câncer – Tipos de Câncer – Pele Melanoma INCA – Instituto Nacional do Câncer – A Informação pode salvar vidas – Câncer de Pele

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Junho 2017

Agrotóxicos e Câncer

Embora importantes na produção de alimentos, agricultores e consumidores precisam de cuidados com os possíveis riscos dos agrotóxicos.

Agrotóxicos, abundância alimentar e risco

Um dos avanços menos valorizados e lembrados da ciência e da tecnologia modernas, é a imensa capacidade de se produzir comida. A combinação de mecanização, sementes transgênicas, fertilizantes químicos e agrotóxicos, somados à refrigeração e ao transporte de massa - caminhões, navios, trens - gerou uma abundância na capacidade de produzir calorias jamais vista na história da humanidade.

Na maioria dos países de primeiro mundo e em muitos países em desenvolvimento como o Brasil, a oferta de alimentos passou a ser tão grande e tão barata que o excesso de peso passou a ser um problema que atinge mais gente que a fome, invertendo ao longo do século 20 a situação de carência de alimentos presente desde que o ser humano e a civilização existem. Por exemplo no Brasil, segundo dados do IBGE divulgados pelo INCA, mais da metade - 56,9% - da população apresenta excesso de peso e 20,8% é obesa [1].

No entanto, apesar do sucesso da agricultura moderna, tecnológica, em alimentar a população (e ajudar no resto da economia, o agronegócio representa cerca de 23% do PIB e 48% das exportações brasileiras [2]) existem riscos, entre eles que o uso exagerado ou descuidado de agrotóxicos possa trazer danos à saúde, em particular um aumento estatístico do risco de câncer.

O que são agrotóxicos
Os agrotóxicos são substâncias químicas usadas para combater animais e plantas que possam prejudicar a produção, colheita, armazenagem ou transporte de produtos agrícolas. Os principais são Herbicidas (que controlam ervas daninhas), Inseticidas (que controlam os insetos) e Bactericidas (que controlam as bactérias). Além desses também são utilizados Acaricidas (para o controle de ácaros), Fungicidas (para o controle de fungos), Nematicidas (para o controle de nematoides - vermes), Rodenticidas (para o controle de ratos e outros tipos de roedores) e Moluscicidas (para o controle de moluscos). As substâncias químicas usadas para esse controle da competição de plantas e animais daninhos pelo alimento humano, muitas vezes são tóxicas também para as pessoas.

Assim os agricultores e outros profissionais que lidam com essas substâncias tem que ter muito cuidado no seu manuseio e os consumidores também tem que ter cuidado, porque mesmo após os processos de colheita, armazenamento, transporte, processamento industrial ou cozimento doméstico, podem ficar resíduos destes produtos tóxicos na comida que ingerimos, o que pode causar malefícios à saúde se a dose for além de certos limites ou cumulativa ao longo do tempo. Entre os malefícios estudados da exposição das pessoas aos agrotóxicos está o possível aumento do risco estatístico de cânceres, como por exemplo: câncer das glândulas salivares, mieloma múltiplo, Linfoma não Hodgkin, câncer do pâncreas e do cérebro [3].

Redução de Risco
É importante lembrar que o câncer é uma doença complexa de etiologia múltipla (pode ter múltiplas causas), entre elas a idade, a genética e fatores ambientais e comportamentais que interagem entre si. Sendo assim, há fatores que não podemos controlar (como por exemplo nossa idade e a genética que recebemos de nossos pais) mas naqueles que podemos controlar, mesmo que parcialmente, como nossa exposição à substâncias que possam aumentar o risco de câncer como os agrotóxicos, podemos tomar precauções.

Entre elas podemos destacar o consumo de produtos orgânicos - produzidos com menor ou nenhum uso de produtos químicos – e alguns cuidados na preparação de produtos crus, como frutas e verduras, conforme recomendado pelo EPA – United States Environmental Protection Agency (Agência de proteção Ambiental dos Estados Unidos da América) [4]:

LAVAGEM: Lavar e esfregar cuidadosamente todas as frutas e vegetais frescos com água corrente. A água corrente tem um efeito abrasivo que a imersão não possui. Isso ajudará a remover bactérias e vestígios de produtos químicos da superfície de vegetais de frutas e sujeira de fendas. Nem todos os resíduos de pesticidas podem ser removidos por lavagem.
DESCASCAMENTO E APARAMENTO: Descasque frutas e vegetais, quando possível, para reduzir a sujeira, bactérias e pesticidas. Descarte folhas externas de vegetais de folhas. Corte a gordura da carne e da pele das aves e peixes porque alguns resíduos de pesticidas se acumulam em gordura.
SELECIONAR UMA VARIEDADE DE ALIMENTOS: Coma uma variedade de alimentos, de uma variedade de fontes. Isso lhe dará uma melhor combinação de nutrientes e reduzirá sua probabilidade de exposição a um único pesticida.

A campanha do INCA
Em apoio à ideia de redução da exposição das pessoas aos agrotóxicos, no Dia Mundial do Meio Ambiente – o 5 de junho – o INCA lançou uma campanha de estímulo ao consumo de produtos agrícolas orgânicos. A principal peça da campanha é a exposição fotográfica Caminhos da Agroecologia: Cultivando a Vida – que mostra vários pontos do Brasil onde são produzidos alimentos orgânicos. A exposição pode ser vista no site do Inca em http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/prevencao-fatores-de-risco/fatores-ocupacionais/exposicao-caminhos-da-agroecologia

Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Iarc relaciona sobrepeso e obesidade a mais oito tipos de câncer [2] Portal Brasil - Agronegócio deve ter crescimento de 2% em 2017 [3] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net : Salivary Gland Cancer: Risk Factors Multiple Myeloma: Risk Factors Lymphoma - Non-Hodgkin: Risk Factors Pancreatic Cancer: Risk Factors Brain Tumor: Risk Factors [4]EPA – United States Environmental Protection Agency - Pesticides and Food: Healthy, Sensible Food Practices [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Caminhos da Agroecologia: Cultivando a Vida

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Maio 2017

Dia Mundial Sem Tabaco

O Dia Mundial sem Tabaco 2017 será focado nos aspectos economicamente negativos do tabagismo

Todo os anos no dia 31/05 a Organização Mundial da Saúde (OMS), agência da ONU, promove o Dia Mundial sem Tabaco, quando são realizadas ações educativas e preventivas de combate ao fumo e ao tabagismo em geral. Em 2017 a campanha dará maior destaque à questão socioeconômica do tabagismo, seu impacto negativo na economia.

Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento
A campanha em 2017 procurará demonstrar que além dos inquestionáveis danos e riscos à saúde que o tabagismo provoca, ele também pode ser um entrave ao desenvolvimento sustentável das nações. Segundo a OMS [1]:

- Cerca de 6 milhões de pessoas morrem de uso de tabaco todos os anos, uma cifra que se prevê que cresça para mais de 8 milhões por ano até 2030 sem ação intensificada. O uso do tabaco é uma ameaça para qualquer pessoa, independentemente do sexo, idade, raça, cultura ou escolaridade. Traz sofrimento, doença e morte, empobrecendo famílias e economias nacionais.
- O consumo de tabaco custa enormemente às economias nacionais devido ao aumento dos custos dos cuidados de saúde e à diminuição da produtividade. Piora as desigualdades na saúde e exacerba a pobreza, uma vez que as pessoas mais pobres gastam menos em coisas essenciais, como alimentação, educação e cuidados de saúde. Cerca de 80% das mortes prematuras de tabaco ocorrem em países de baixa ou média renda, que enfrentam maiores desafios para alcançar seus objetivos de desenvolvimento.
- O cultivo de tabaco requer grandes quantidades de pesticidas e fertilizantes, que podem ser tóxicos e poluir o abastecimento de água. A cada ano, o cultivo de tabaco usa 4,3 milhões de hectares de terra, resultando em desmatamento global entre 2% e 4%. A fabricação de tabaco também produz mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos.

No Brasil
Segundo o INCA [2] um Estudo sobre impacto econômico do tabagismo feito pelo SUS – Sistema Único de Saúde [3], mostrou que toda a arrecadação de impostos sobre cigarros, na ordem de 3 bilhões de reais, não compensou os gastos com a saúde dos fumantes, estimados em cerca de 23 bilhões de reais. Assim mesmo com a alta taxa de impostos hoje cobrada sobre os produtos derivados do tabaco no Brasil, o valor arrecado não é suficiente para cobrir os danos. Além disso, não foram considerados nos custos a diminuição da produtividade por faltas ao trabalho ou doenças crônicas provocadas nos trabalhadores, que possam diminuir sua capacidade de trabalho.

A Campanha Brasileira
No Brasil o INCA junto com outras organizações civis e governamentais pretende trabalhar junto aos estados da federação no sentido do aumentar o imposto cobrado em cada estado o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os produtos derivados de tabaco. Além disso pretende-se trabalhar junto à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na criação e veiculação de novas imagens de advertência a serem impressas nas embalagens dos cigarros e outros produtos derivados de tabaco.

Fontes: [1] WHO – World Health Organization / OMS – Organização Mundial da Saúde - World No Tobacco Day, 31 May 2017 [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Dia Mundial sem Tabaco 2017 vai alertar para os danos ao desenvolvimento causados pela produção de fumo [2] SUS – Cadernos de Saúde Pública - Estimativa da carga do tabagismo no Brasil: mortalidade, morbidade e custos

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Abril 2017

Dia Nacional da Saúde

No Dia Nacional da Saúde o INCA alerta sobre os alimentos ultra processados e divulga dicas de alimentação saudável

No 31/03 comemora-se no Brasil o Dia Nacional da Saúde, data em que o Ministério da Saúde e suas agências iniciam ou lançam campanhas voltadas à melhoria da saúde da população brasileira. Em 2017, o INCA (Instituto Nacional do Câncer, órgão do Ministério da Saúde do Brasil) lançou campanha educativa sobre hábitos saudáveis de alimentação e sua relação com a prevenção de doenças, em particular o câncer.

Os ultra processados
Há alimentos industrializados para comer que recebem a adição de vários produtos químicos para alteração de suas propriedades, visando diferenciação de sabor, consistência, textura ou durabilidade, entre outras características, que acabam prejudicando qualidades naturais do próprio alimento e são produtos que per se podem não ser benéficos à saúde, especialmente se consumidos em grande quantidade e por longo tempo.

Uma dica da campanha do INCA para se reconhecer um produto processado o consumidor pode ficar atento ao rótulo e ver se nos ingredientes constam produtos que não se tem normalmente em casa e que não se utiliza na preparação de comida caseira, como por exemplo espessantes, corantes, emulsificantes, antioxidantes, conservantes, etc.

Se necessário utilizar-se produtos industrializados sempre que possível optar pelos produtos que contenham em suas fórmulas apenas ingredientes de uso corriqueiro em casa. Outra dica é evitar refeições industrializadas pré-preparadas que bastam ser aquecidas no micro-ondas para se consumir, fast-food (lanches pré-preparados fornecidos em cadeias de refeições rápidas) e refrigerantes açucarados.

O que comer
A recomendação principal da campanha é comer-se refeições feitas a partir de ingredientes naturais frescos preparadas em casa, e quando não for possível ou for mais prático ou mais barato usar-se produtos industrializados, optar-se por aqueles que não contenham, ou contenham o menos possível, produtos químicos estranhos aos produtos que corriqueiramente se tem em casa. Além disso é saudável evitar processamentos que alteram muito a característica do produto natural, como por exemplo a defumação.

Além de alimentos feitos em casa, como o tradicional arroz com feijão, como uma sugestão de substituição aos alimentos processados a campanha recomenda ingerir-se pelo menos 400 gramas por dia de frutas, verduras e legumes, o que é equivalente a mais ou menos 5 porções destes produtos por dia. Como às vezes não se tem uma balança por perto, por motivos práticos pode-se considerar que cada porção (80g) é mais ou menos o que cabe do produto picado ou inteiro na palma da mão.

A manutenção do peso corporal
A redução do consumo de alimentos processados e ultra processados muitos vezes também ajuda na redução do peso, porque muitos destes alimentos, contem grande quantidade de açúcar. Vários estudos apontam o sobrepeso e a obesidade como fatores estatísticos de aumento do risco de se vir a ter vários tipos de câncer. Supõe-se que o sobrepeso e a obesidade alterem vários níveis de hormônios do corpo e gerem processos inflamatórios crônicos, que no longo prazo podem gerar mutações genéticas precursoras do câncer.

O GPOI comenta
Sabemos que na correria do dia a dia e principalmente na vida agitada das grandes cidades às vezes é difícil se manter hábitos de alimentação saudável. No entanto, dado as relações estatísticas já encontradas entre o consumo de alimentos processados e ultra processados e o aumento do risco do surgimento do câncer, é importante dedicar-se um pouco mais de atenção e tempo a uma alimentação mais caseira e natural.

Fontes: [1] INCA – Instituto Nacional do Câncer - INCA alerta para alimentos ultraprocessados e mostra como os consumidores podem se proteger [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Alimentação [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – INCA e Pró-vita lançam vídeos educativos sobre alimentação e prevenção do câncer [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer – Alimentação e câncer: dicas de prevenção (Vídeo 1)

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Março 2017

Brasil em Pesquisa Mundial

Instituições brasileiras participarão de pesquisa mundial para identificar causas do câncer

O “Grande Desafio” da Cancer Research UK
Cancer Research UK é uma empresa britânica, sem fins lucrativos – registered charity – devotada a levantar fundos e emprega-los no apoio a pesquisas científicas sobre o câncer, que só no ano fiscal 2015 / 2016 apoiou pesquisas avaliadas em 367 milhões de Libras (cerca de R$ 1,4 bilhão de Reais), através de vários institutos e organizações. No nível mais alto, a meta da Cancer Research UK é alcançar, até o ano de 2030, uma sobrevida de 10 anos para 75% dos pacientes da doença no mundo, mas para tanto se organiza em uma série de metas e iniciativas intermediárias.

Em 2015, em conjunto com pacientes, estudiosos e a comunidade científica a organização criou uma lista de 7 grandes desafios na luta contra a câncer, cuja esforço em resolve-los poderia resultar em grandes avanços no combate à doença. A partir daí se estabeleceu um concurso chamado The Grand Challenge – O Grande Desafio – através do qual foram solicitado a times de pesquisadores, de todo o mundo, propostas que poderiam resolver, no todo ou em parte, cada um dos sete desafios:

Desafio 1: Desenvolver vacinas para prevenir canceres não virais.
Desafio 2: Erradicar cânceres induzidos pelo vírus EBV (o vírus Epstein-Barr é uma das variantes dos vírus da família do vírus da herpes que está associado ao aparecimento de diversos tipos de câncer)
Desafio 3: Descobrir padrões não usuais de mutação induzidos por eventos provocadores de câncer
Desafio 4: Distinguir entre cânceres letais que precisem de tratamento e não-letais que não precisem
Desafio 5: Encontrar meios de mapear tumores ao nível celular e molecular
Desafio 6: Desenvolver novas abordagens para atacar o “supercontrolador” MYC (MYC é nome de um gene que sofre mutação em grande parte dos cânceres humanos – 7 entre cada 10 casos – que parece ajudar tumores a sobreviver)
Desafio 7: Levar moléculas grandes – macromoléculas – a quaisquer células do corpo.

Depois de recebidas 56 propostas, foram escolhidos 4 ganhadores, que receberão um investimento de 20 milhões de Libras (cerca de R$ 76 milhões de Reais) cada um, para concretizarem ao longo dos próximos 5 anos a linha de pesquisa proposta. Os 4 projetos vencedores tem como tema:

1) Identificar causas evitáveis desconhecidas de câncer - É um projeto em grande escala que envolve os 5 continentes do mundo, que visa entender melhor o que causa danos ao DNA das células e como isso leva ao câncer.

2) Criação de mapas de tumores em realidade virtual - O projeto pretende unir técnicas de realidade virtual existentes com novas tecnologias a serem desenvolvidas para construir imagens em 3D de tumores que mapeiem cada célula do tumor.

3) Prevenção de tratamentos desnecessários do câncer de mama - O projeto pretende estudar amostras de tecido de mulheres com câncer de mama para aperfeiçoar os mecanismos de identificação dos casos que precisam de tratamento ou não.

4) Estudo do metabolismo dos tumores a partir de diferentes ângulos - É um projeto para usar tecnologias de produção de imagens por Espectrometria de massa – tecnologia derivada da física quântica – para mapear conjuntos ou até moléculas individuais dentro de tumores.

A Participação Brasileira
O Hospital do Câncer de Barretos, o Instituto Nacional de Câncer e o A.C. Camargo Cancer Center são 3 instituições brasileiras que participarão do projeto, colaborando com uma das iniciativas ganhadoras do Grande Challenge - “Identificar causas evitáveis desconhecidas de câncer”, liderada pelo professor Mike Stratton, diretor de um campus de pesquisa do genoma do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido. Hoje a ciência conhece cerca de 50 marcadores genéticos – mutações ou danos em genes – que estão associados ao aparecimento do câncer, mas só consegue identificar as causas, as razões - como por exemplo fumar - para o surgimento de cerca da metade destes marcadores. A outra metade precisa ser descoberta.

Para tanto as instituições brasileiras vão contribuir com sequenciamento do DNA de cerca de 900 pessoas do Brasil, bem como o estudo de seu perfil pessoal, hábitos e exposição a agentes carcinogênicos, contribuindo para o estabelecimento de possíveis relações estatísticas que ajudem a encontrar as respostas que a pesquisa procura.

Fontes: [1] Cancer Research UK [2] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Pesquisa vai mapear influência genética e ambiental na ocorrência de câncer

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Fevereiro 2017

Dia Mundial do Câncer

Todos os anos, no 04 de fevereiro, a ONG mundial UICC promove internacionalmente um dia de conscientização sobre a doença, sua prevenção e tratamento. No Brasil o tema 2017 é o câncer infanto-juvenil.

O que é a UICC
A UICC – Union Internationale Contre le Cancer (União Internacional Contra o Câncer, em português) – é uma organização não governamental fundada em 1933 e com sede em Genebra na Suíça, que trabalha na prevenção e controle do câncer, em estreita colaboração com agências da ONU e mais outras 950 organizações internacionais – como sociedades de combate ao câncer, ministérios da saúde e grupos de pacientes – em mais de 150 países.

A UICC e seus parceiros em diversos setores do governo e da sociedade civil tem como missão encorajar governos e entidades internacionais a implementarem e aumentarem programas e iniciativas que reduzam a carga que o câncer representa na sociedade mundial. Essa missão pode ser sintetizada nas palavras do senhor Heather Bryant, Vice Presidente da organização Canadian Partnership Against Cancer:

“O objetivo para todos nós é garantir que menos pessoas desenvolvam câncer, mais pessoas sejam tratadas com sucesso e que haja uma melhor qualidade de vida para as pessoas durante o tratamento e depois.”

As principais iniciativas da UICC são:

World Cancer Day
Criado em 2005 é um evento de comunicação, que propõe que todos o os governos e ONGs associadas promovam ações de conscientização e combate à doença no mundo todo visando o maior número de pessoas possível falando sobre a questão do câncer no dia 04 de fevereiro (e no mês de fevereiro), ao redor do mundo.

World Cancer Congress
Um congresso técnico que reúne profissionais de saúde de mais de 135 países para compartilhamento de conhecimento e experiências sobre a questão do câncer.

World Cancer Leaders Summit
Uma reunião anual para membros de governos, entidades nacionais e internacionais e outros criadores de políticas e formadores de opinião poderem discutir o tema do câncer.

O Dia Mundial do Câncer 2017
A cada ano por ocasião do 04 de fevereiro, a UICC realiza uma série de ações de comunicação e estimula as entidades membro realizarem também atividades ao longo do mundo. O INCA – Instituto Nacional do Câncer – que é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, participa do corpo diretivo da UICC e costuma realizar ações, programas e iniciativas ligadas à data em sincronia com as ações mundiais.

Neste ano de 2017 o INCA escolheu para o Dia Mundial do Câncer o tema do câncer infanto-juvenil, porque o câncer é a principal causa de morte por doença em crianças e adolescentes no Brasil. A campanha alerta a população sobre os sinais e sintomas e a importância do diagnóstico precoce. Cerca de 80% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

O câncer infanto-juvenil
O câncer é uma doença grave mas o câncer em crianças e adolescentes tem um prognóstico melhor que o câncer em adultos e idosos, se diagnosticado e tratado precocemente. Para que o tratamento comece o mais cedo possível é importante que os pais e responsáveis (e os próprios jovens) fiquem alertas aos seguintes sinais e sintomas que merecem que a criança ou o jovem passe por uma consulta médica, conforme a campanha do INCA: ATENÇÃO: Nenhum do sintomas descritos abaixo é garantia de que a pessoa tenha ou não tenha câncer ou qualquer outra doença, mas se aparecerem merecem ser avaliados por um médico:

- Palidez, hematomas ou sangramento, dor óssea
- Caroços ou inchaços - especialmente se indolores e sem febre ou outros sinais de infecção - Perda de peso inexplicável ou febre, tosse persistente ou falta de ar, sudorese noturna
- Alterações oculares - pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos
- Inchaço abdominal
- Dores de cabeça, especialmente se incomum, persistente ou grave, vômitos (em especial pela manhã ou com piora ao longo dos dias)
- Dor em membro ou dor óssea, inchaço sem trauma ou sinais de infecção
- Fadiga, letargia, ou mudanças no comportamento, como isolamento
- Tontura, perda de equilíbrio ou coordenação

O GPOI comenta
Ninguém gosta de receber a notícia que um jovem ou criança da família está doente e ninguém gosta de receber um diagnóstico de câncer para si mesmo ou para um ente querido, mas dado que o câncer, em particular o câncer infanto-juvenil, tem muita mais possibilidade de cura se detectado e começado o tratamento o mais cedo possível, é importante ficar atento aos sintomas e sinais apontados pela campanha do INCA. Se surgirem em alguma criança ou jovem, é importante procurar uma avaliação médica para começar um tratamento, se necessário, ou até para apenas tranquilizar o paciente e a família se for o caso.

Fontes: [1] UICC - Union Internationale Contre le Cancer – Home Page [2] UICC – Union Internationale Contre le Cancer – World Cancer Day [3] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Câncer infanto-juvenil é tema do Dia Mundial do Câncer 2017 [4] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Hotsite Dia Mundial do Câncer 2017 [5] INCA – Instituto Nacional do Câncer - Hotsite Dia Mundial do Câncer 2017 – Sinais e Sintomas Câncer Infanto-Juvenil

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Janeiro 2017

Embarque Aéreo do Paciente

Se você ou alguém da sua família é paciente de câncer e vai viajar de avião, é preciso pensar em alguns cuidados extras para o embarque no aeroporto.

Começo de ano, janeiro, fevereiro até o carnaval, é uma época de muitas viagens no Brasil, inclusive aéreas, para aproveitar o verão e as férias escolares. Portanto é importante lembrar que o paciente de câncer, se for viajar de avião, precisa levar em conta alguns itens extras que precisam ser verificados por ele ou pela família, como por exemplo se as condições de pressão e oxigenação do avião podem provocar complicações ou ainda se no destino haveria serviços médicos emergenciais, se necessários.

Dentre essas preocupações extras, precisamos lembrar que o próprio embarque do paciente de câncer pode ser mais difícil, assim vamos listar alguns itens para o paciente ou seus familiares considerarem para o embarque:

1)O paciente pode precisar de uma liberação prévia, por escrito, da companhia aérea
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) as companhias aéreas podem legalmente recusar-se a embarcar passageiros que ela julgue na hora que possam ter condições médicas que podem piorar ou causar problemas durante o voo.

Assim se a doença ou seu tratamento trouxerem uma aparência muito doente ou cansada ao paciente, ou ainda se ele tiver que trazer com ele um tubo de oxigênio ou outro equipamento médico é interessante tentar se obter uma liberação médica prévia, para evitar problemas na hora do embarque. Informe-se com sua companhia aérea e com seu médico oncologista que tipo de documentos ou atestados seriam necessários para apresentação no embarque e como obtê-los.

2)O paciente pode precisar ajuda na sua locomoção e da bagagem
Muitos pacientes de câncer podem ter dificuldade de locomoção ou ter de levar consigo equipamentos médicos, como respiradores, tubos de oxigênio e cadeiras de rodas especiais, por exemplo. É interessante se informar com antecedência quais recursos de apoio como carrinhos elétricos, elevadores ou funcionários especializados estariam disponíveis e se necessário reserva-los.

Além disso, algumas empresas aéreas em alguns voos podem permitir embarque antecipado, verifique se possível, pois isso pode permitir embarque e acomodação com mais calma e cuidado ao paciente de câncer.

3)Medicamentos e equipamentos médicos precisam ir na bagagem de mão

O extravio da bagagem despachada pode ser um inconveniente grande, especialmente se ela contiver remédios ou equipamentos médicos necessários ao paciente, assim lembre-se de sempre carregar qualquer remédios ou equipamentos médico na bagagem de mão.

Devido às regras de segurança, vidros grandes de remédio, seringas de injeção, agulhas, e outros suprimentos e equipamentos podem exigir autorização prévia e verificação extra pela equipe de segurança no embarque, assim verifique com antecedência com sua companhia aérea o que pode ser transportado na bagagem de mão e se necessário algum atestado ou autorização por escrito para poder leva-los dentro do avião.

4)Verifique as regras de segurança e prepare-se para elas
Verifique com sua companhia aérea quais os tipos de revista ou escaneamento corporal podem acontecer no embarque e em particular como eles lidam com as seguintes situações especiais:

- Uso de cobertura na cabeça (devido à perda de cabelo da quimioterapia)
- Uso de próteses externas mamárias
- Ter um cateter ou acesso venoso
- Ter uma ostomia (abertura cirúrgica para o trato digestivo ou urinário)

Verifique se em caso de uma revista ser necessária ela pode ser realizada em uma sala privada, para evitar constrangimentos.

Esses cuidados com segurança de embarque e revista corporal são especialmente importantes nas viagens internacionais onde a segurança é redobrada.

O GPOI comenta
Ser um paciente de câncer não precisa ser um impedimento definitivo para uma viagem de avião, sozinho ou com a família nessa época de férias. Converse com seu oncologista sobre possíveis riscos e problemas e caso ele julgue adequada a sua viagem, verifique com antecedência com a companhia aérea possíveis procedimentos extras ou documentos necessários e prepare-se.

Boa viagem!

Fontes: [1] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net – Airport Travel Tips for People with Cancer [2] ASCO – American Society of Clinical Oncology – Cancer.net - Getting Medical Clearance to Fly

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